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    • Collection number: 2019-06
    • Additional contributors: Aripã Karipuna (consultant), Boakara Uru-Eu-Wau-Wau (consultant), Wesley dos Santos (donor, researcher), Pajajup Uru-Eu-Wau-Wau (consultant), Mandá Uru-Eu-Wau-Wau (consultant), Boreá Uru-Eu-Wau-Wau (consultant), Katika Karipuna (consultant)
    • Languages: Uru-Eu-Wau-Wau (urz), Karipuna (kuq)
    • Dates: 2017-
    • Historical information: Kawahiva é o nome de oito povos nativos que vivem no Sudeste da bacia amazônica no Brasil. Pertence à família Tupi-Guarani (TG) (que conta com aproximadamente 40 línguas). A família TG é um dos sub-ramos do ancestral Maweti-Guarani, o qual constitui, por sua vez, um dos oito ramos do tronco Tupi (Eriksen & Galucio 2015).
      Esses oito povos são chamados pelos seguintes exônimos, a começar por aqueles do estado de Rondônia: Uru-Eu-Wau-Wau [urz], Amondawa [adw], Karipuna [kuq], Tenharim [pah], Parintintin [pah], Juma [jua], Jiahui [pah], Capivari [n/a] and Piripkura [n/a]. Todos esses povos falam variedades do Kawahíva que são mutualmente inteligíveis. Segundo os próprios indígenas, há mais similaridade entre as variedades faladas num mesmo estado. Até Outubro de 2017, havia 1061 indivíduos, destes somente 525 são falantes.
      De acordo com um levantamento que o linguista Wesley dos Santos conduziu para o Governo Federal em 2017[1], 263 Kawahiva vivem no estado de Rondônia. Os Amondawa e Uru-Eu-Wau-Wau vivem na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, a qual tem sobreposta o Parque Nacional Pacáas-Novos. Os Amondawa se encontram em uma única aldeia, chamada Trincheira, onde há 126 pessoas e 81 falantes. Os Uru-Eu-Wau-Wau, por sua vez, possuem seis aldeias[2], e totalizam 107 pessoas, mas nem todos vivem nas aldeias Uru-Eu. Estima-se que haja 64 que falam a língua. Cinco Uru-Eu vivem com os Karipuna, na terra indígena destes. Três Uru-Eu vivem na aldeia dos Juma, na sua terra. Outros três Uru-Eu moram com os Wari' (povo falante de língua da família Txapacura) na terra destes, no Sul do estado de Rondônia. Um único Uru-Eu-Wau-Wau vive fora de aldeia, na cidade de Ouro Preto do Oeste. Os Karipuna estão na Terra Indígena Karipuna, a 140km da capital rondoniense Porto Velho. Estão reunidos numa única aldeia e somam em 29 pessoas, dos quais somente 10 são falantes. Nove Karipuna vivem foram da aldeia, na cidade de Porto Velho, enquanto um mora na Terra Indígena Rio Branco, do povo Arara (também falantes de uma língua pertencente ao mesmo tronco linguístico Tupi). Há também informações sobre o último falante de Capivari[3], aparentemente uma variedade Kawahiva mais próxima de Karipuna, e sobre a qual se sabe praticamente nada. Trata-se de um senhor com idade avançada e que é casado com uma indígena pertencente ao povo Karitiana (falantes da língua Karitiana, da família linguística Arikém, que também pertence ao tronco Tupi).
      Pouca informação se tem sobre a vitalidade das línguas dos povos que estão no Amazonas. A fonte mais recente sobre o assunto, Moore, Galucio e Gabas Jr. (2008: 6), estimou a população e o número de falantes Kawahíva desse estado. Segundo esta fonte, os Parintintin totalizam em 156 pessoas com apenas 10 falantes, habitando três aldeias. Os Tenharim têm 585 indivíduos, dos quais 350 são falantes e possuem 12 aldeias[4]. Os Juma contam em cinco pessoas, todas falantes da língua, e estão reunidos em uma única aldeia. Por sua vez, os Jiahui somam em 50 pessoas, dos quais somente uma é falante e têm três aldeias.
      Finalmente, em Mato Grosso, estão os Piripkura. Vítimas de um massacre que quase os dizimou por completo há algumas décadas, somam hoje somente três indivíduos, todos falantes da sua língua. São todos parte de uma mesma família, um casal de irmão e o sobrinho. Os homens vivem em isolamento na Terra Indígena Piripkura, próxima à cidade de Colniza. A mulher, Rita Pipkura, é casada com um ancião Karipuna e passa longos períodos na aldeia dos Karipuna, além de visitar a Terra Indígena no Mato Grosso.
      Notas
      [1] Esse levantamento foi conduzido sob os auspícios do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e executado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) no âmbito do Inventário Nacional de Diversidade Linguística (INDL).
      [2] Os nomes dessas aldeias são 621, 623 (em alusão às linhas vicinais paralelas à Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau), Jamari, Alto Jamari, Alto Jaru e Aldeia Nova.
      [3] Segundo informações à época, 2017, o ancião Capivaria tinha 97 anos. Os Karipuna informaram que à época do pré-contato, o povo Capivari era um dos outros dois povos Karipuna que viviam próximo a eles na bacia do rio Jaci Paraná. Nada além dessa menção se sabe sobre o terceiro povo ao qual os Karipuna se referem.
      [4] A maior dessas aldeias é Marmelos. Fui informado por alguns Tenharim de havia aproximadamente 400 pessoas vivendo lá à época.
      Fontes citadas
      Eriksen, L.; Galúcio, V. (2015). The Tupian expansion. IN: O’Connor, L.; Muysken, P. The Native Languages of South America: origins, development, typology. Cambridge: Cambridge University Press. p. 177- 199.
      Moore, D.; Galúcio, A. V.; Gabas Jr., N. O Desafo de documentar e preserver as línguas Amazônicas. Scientifc American (Brasil). Amazônia (A Floresta e o Futuro), n. 3, set. 2008. pp. 36-43.
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      Kawahíva is the language of eight native groups living in the southeast of the Amazon basin in Brazil. It belongs to the Tupí-Guaraní (TG) language family (~40 languages). The TG family is one of the Mawetí-Guaraní sub-branches that constitutes one out of eight branches of the Tupi stock (Eriksen & Galúcio 2015).
      These eight groups are referred to with the following exonyms, beginning with those form the state of Rondônia: Uru-Eu-Wau-Wau [urz], Amondawa [adw], Karipuna [kuq], Tenharim [pah], Parintintin [pah], Juma [jua], Jiahui [pah], Capivari [n/a] and Piripkura [n/a]. All of them are mutually intelligible, with more similarity between those spoken in same state. As of October 2017, they total 1061 individuals, with only 525 speakers.
      According to a survey Wesley dos Santos conducted in 2017 for the Brazilian government[1], 263 Kawahiva individuals live in the state of Rondônia. The Amondawa and Uru-Eu-Wau-Wau live on the Uru-Eu-Wau-Wau Indigenous Land, which also contains the Pacáas-Novos National Park. The Amondawa inhabit a single village, Trincheira, with 126 people and 81 speakers. The Uru-Eu-Wau-Wau possess six villages[2], totaling 107 individuals, of which 64 are speakers. There are still five who live with the Karipuna, on their indigenous territory. Three Uru-Eu-Wau-Wau live in the village of the Juma, on their territory. Anther three live with the Wari’ (Txapakura family) on their territory, in the south of Rondônia. Only one Uru-Eu-Wau-Wau Indian lives outside village, in Ouro Preto do Oeste. The Karipuna live in the Karipuna Indigenous Landy, 140km from Porto Velho, capital of Rondônia. They are gathered in a single village and total 29 people, of which only 10 are speakers. Ten Karipuna live outside the village, nine in Porto Velho and one on the Rio Branco Indigenous Land, among the Arara (also speakers of a language belonging to the Tupi stock). There is also information regarding the last speaker of Capivari [3], apparently the Kawahiva variety most similar to Karipuna, about which almost nothing is known. He is an elderly man married to a Karitiana woman (the Karitiana language, from the Arikém family, also belonging to the Tupi stock).
      Less information exists about the endangerment status of the groups living in Amazonas. The most recent source, Moore, Galucio and Gabas Jr. (2008:6), estimated the population and number of speakers of Kawahíva in this state. According to this source, the Parintintin total 156 people, with only 10 speakers, inhabiting three villages. The Tenharim have 585 individuals, of which 350 are speakers, and they possess 12 villages[4]. The Juma number five people, all speakers of the language living in a single village. The Jiahui total 50 people, of which only one is a speaker, and they have three villages.
      Finally, the Piripkura are in Mato Grosso. Victims of a massacre that almost decimated them entirely a few decades ago, today they number three individuals, all speakers of the language. They are all part of the same family, two brothers and one sister. The men live in voluntary isolation in the Piripkura Indigenous Land, near the town of Colniza. The sister, Rita Piripkura, is married to a Karipuna elder, and spends long periods in the Karipuna village, in addition to visiting the indigenous land in Mato Grosso.
      Notes
      [1] This survey was conducted under the auspices of the National Historic and Artistic Heritage Institute (IPHAN) in collaboration with the Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) for the National Inventory of Linguistic Diversity (INDL).
      [2] The name of these villages are 621, 623 (an allusion to the routes that run parallel to the Uru-Eu-Wau-Wau Indigenous Land), Jamari, Alto Jamari, Alto Jaru, and Aldeia Nova.
      [3] According to information from the time, he is 97 years old. The Karipuna told me that in the pre-contact period, the Capivari people were one of the other two Karipuna peoples that lived close to them on the lower the Jaci-Paraná River. Nothing else is known about the third group that the Karipuna refer to.
      [4] The biggest of them is Marmelos. I was told by some Tenharim that there were approximately 400 people living there at this time.
      References cited:
      Eriksen, L.; Galúcio, V. (2015). The Tupian expansion. IN: O’Connor, L.; Muysken, P. The Native Languages of South America: origins, development, typology. Cambridge: Cambridge University Press. p. 177-199.
      Moore, D.; Galúcio, A. V.; Gabas Jr., N. O Desafo de documentar e preserver as línguas Amazônicas. Scientifc American (Brasil). Amazônia (A Floresta e o Futuro), n. 3, set. 2008. pp. 36-43.
    • Scope and content: Gravações em áudio e vídeo de sessões de elicitação, de narrativas de estórias tradicionais e cotidianas, músicas, assim como anotações de campo
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      Video and audio recordings of elicitation sessions, and of traditional narrative texts, personal life stories and songs; field notes
    • Repository: Survey of California and Other Indian Languages
    • Preferred citation: Kawahiva Language Documentation Archive, SCL 2019-06, Survey of California and Other Indian Languages, University of California, Berkeley, http://dx.doi.org/doi:10.7297/X2P26W9H

1 - 16 of 16 results

    • Item number: 2019-06.003
    • Date: 28 Jul 2017
    • Contributors: Wesley dos Santos (researcher, donor), Pajajup Uru-Eu-Wau-Wau (consultant)
    • Language: Uru-Eu-Wau-Wau (urz)
    • Availability: Online access
    • Collection: Kawahiva Language Documentation Archive
    • Repository: Survey of California and Other Indian Languages
    • Preferred citation: Baira cria uma mulher a partir de um peixe/Baira creates a woman from a fish, 2019-06.003, in "Kawahiva Language Documentation Archive", Survey of California and Other Indian Languages, University of California, Berkeley, http://cla.berkeley.edu/item/26636
    • Item number: 2019-06.004
    • Date: 28 Jul 2017
    • Contributors: Pajajup Uru-Eu-Wau-Wau (consultant), Wesley dos Santos (researcher, donor), Boreá Uru-Eu-Wau-Wau (consultant)
    • Language: Uru-Eu-Wau-Wau (urz)
    • Availability: Online access
    • Place: Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, Rondônia, Brazil
    • Description: Story refers to the separation of the Kawahiva into different groups, told originally by the speaker's grandparents
    • Collection: Kawahiva Language Documentation Archive
    • Repository: Survey of California and Other Indian Languages
    • Preferred citation: Sobre o tempo em que os Kawahiva se dividiram/On the time when the Kawahiva separated, 2019-06.004, in "Kawahiva Language Documentation Archive", Survey of California and Other Indian Languages, University of California, Berkeley, http://cla.berkeley.edu/item/26637
    • Item number: 2019-06.013
    • Date: 10 Jun 2018
    • Contributors: Wesley dos Santos (researcher, donor), Mandá Uru-Eu-Wau-Wau (consultant)
    • Language: Uru-Eu-Wau-Wau (urz)
    • Availability: Online access
    • Place: Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, Rondônia, Brazil
    • Description: Jaru is the nearest city; visit occurred three days prior to recording
    • Collection: Kawahiva Language Documentation Archive
    • Repository: Survey of California and Other Indian Languages
    • Preferred citation: Ida à Jaru para um check-up médico/Going to Jaru for a medical check-up, 2019-06.013, in "Kawahiva Language Documentation Archive", Survey of California and Other Indian Languages, University of California, Berkeley, http://cla.berkeley.edu/item/26652
    • Item number: 2019-06.014
    • Date: 28 Jun 2018
    • Contributors: Wesley dos Santos (donor, researcher), Katika Karipuna (consultant)
    • Language: Karipuna (kuq)
    • Availability: Online access
    • Place: Terra Indígena Karipuna, Rondônia, Brazil
    • Collection: Kawahiva Language Documentation Archive
    • Repository: Survey of California and Other Indian Languages
    • Preferred citation: O jacaré que queria comer um macaco/The alligator that wanted to eat a monkey, 2019-06.014, in "Kawahiva Language Documentation Archive", Survey of California and Other Indian Languages, University of California, Berkeley, http://cla.berkeley.edu/item/26653
    • Item number: 2019-06.015
    • Date: 26 Jun 2018
    • Contributors: Wesley dos Santos (donor, researcher), Katika Karipuna (consultant)
    • Language: Karipuna (kuq)
    • Availability: Online access
    • Place: Terra Indígena Karipuna, Rondônia, Brazil
    • Collection: Kawahiva Language Documentation Archive
    • Repository: Survey of California and Other Indian Languages
    • Preferred citation: O jacaré que queria fazer sexo com a esposa da lua/The alligator that wanted to have intercourse with the moon's wife, 2019-06.015, in "Kawahiva Language Documentation Archive", Survey of California and Other Indian Languages, University of California, Berkeley, http://cla.berkeley.edu/item/26654
    • Item number: 2019-06.016
    • Date: 29 Jun 2018
    • Contributors: Wesley dos Santos (donor, researcher), Katika Karipuna (consultant)
    • Language: Karipuna (kuq)
    • Availability: Online access
    • Place: Terra Indígena Karipuna, Rondônia, Brazil
    • Collection: Kawahiva Language Documentation Archive
    • Repository: Survey of California and Other Indian Languages
    • Preferred citation: Um espírito persegue a esposa de um parente/A spirit pursues a relative's wife , 2019-06.016, in "Kawahiva Language Documentation Archive", Survey of California and Other Indian Languages, University of California, Berkeley, http://cla.berkeley.edu/item/26655